Há tempos perdi a intimidade com a escrita. Não tenho o dom de passear pelas frases aleatoriamente, preciso usá-las como instrumento do manifesto sentimental.Tento desprender-me delas como quem extravasa a alma, como aquele que livra do cárcere a ave abatida. Passei um tempo sem saber o que se passava dentro da minha gaiola. Enfraquecida, afugentada, triste sem entender ao certo o que estaria acontecendo, na gaiola ou posso dizer um casulo de exílio do todo o resto do mundo, não enxergava nem motivo e nem motivação. Pra isso estar acontecendo, não é a minha vontade... nunca foi e nunca será. Porém não tenho escolha ou tenho TRANSFORMA- TE. Digo pra me mesma. Ai vem os questionamentos pior que o ser humano pode ter pelo fato de atrapalhar o seu viver... E SE?! Deixo de fazer muitas coisas por causa dessa bendita pergunta. Que atormenta dias e dias a minha vida. Enfim só hoje percebi que tinha mais de 15 rascunhos não publicados por nunca terem tido um fim. Assim como os projetos da minha vida, que estavam ganhando apenas reticências… Escritos em momentos de raiva, angústia, dor, momentos que eu não chegaria pra ninguém, e compartilharia por serem coisas de momento ou não!Nós rascunhos, tinha meus pensamentos bons e ruins, totalmente íntimos. E falava basicamente que eu deixo de fazer o que desejo, de sentir, de GRITAR, mostrar o que realmente eu quero. Seja por altruísmo, receio, ou até mesmo por ser fraca extremamente fraca. Por aceitar regras impostas, sem uma explicação exata porque elas são aplicadas. Por aceitar NÃO, e mais NÃO sem ao menos contestar. E me perguntava: Porque isso? Minha resposta nos rascunhos dizia: “Tenho medo de machucar, decepcionar e deixar as pessoas que eu amo triste enfim como não quero ser a causa da ferida aberta no peito de quem se ama. Não de propósito. “ Quando li isso que eu mesma escrevi pensei... " Eu realmente não estou ME vendo, quem estar machucada, decepcionada, triste e com um gigante ferida no peito sou eu deixando de fazer o que eu quero, o que eu desejo" E no mesmo pensamento pensei:" Toda essa preocupação ta valendo a pena? Há reconhecimento de todo esse meu esforço" Pensei ! Pensei! E repensei! Não, eu não vejo esse reconhecimento. (Posso estar sendo egoísta imatura pensando assim... mas são meus pensamentos, ninguém, mas precisa saber! )Mas, ao tocar no assunto - foi o conteúdo da promessa feita à mim mesma . TRANSFORMA-TE! Minha boca, meus olhos tentam ocultar qualquer sinal de insatisfação, mas nos traem enquanto fitam o chão de maneira obsessiva. Peco com o silêncio contido em uma expressão triste. Pesada. A minha mente revela ter um poder masoquista inigualável e se diverte com a memória de toda e qualquer palavra já proferida. Prometi. Pra não doer em mim, pra não fazer repetir. Pra não, mas ter medo de errar, afinal "Errar é humano." E eu sou humana não um robô, sem defeitos, desculpe-me até robôs tem defeitos. Porque eu não? TRANSFORMA-TE! Pensei ao deitar na cama, contando os sete minutos que uma pessoa leva em média para dormir e terminando de ler meus 15 rascunhos que em mas cinco minutos iria ser rasgados e queimados. Conclui que nada a não ser eu mesma poderia mudar o que eu estava sentido ao terminar de ler meus rascunhos. Senti-me, naquela noite, como a tartaruga que tinha sobre si o resto do universo.
Ayonnara Rocha de Medeiros
Ayonnara Rocha de Medeiros

TRANSFORMA-TE... Muito foda esse seu texto, se não te conhecesse diria que vc copiou de algum lugar. Muito bom mesmo. =D
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